mafia x refugees
Máfia

IMIGRANTE VERSUS MÁFIA: COSA NOSTRA DECLARA GUERRA AOS REFUGIADOS

O artigo abaixo, traduzido do Dailymail, é um excelente exemplo de como fatores externos podem afetar a política econômica do crime organizado. Máfias são organizações criminosas que se estabelecem por meio da venda de proteção privada em determinados territórios, o que inclui determinada extensão de terra e uma população limitada, que pode ser controlada e monitorada por agentes locais. O recente influxo populacional na Sicília, provocado pela crise dos refugiados, tem trazido problemas para essas organizações, que não só precisam lidar com uma quantidade maior de pessoas, como também com outros grupos criminosos estrangeiros, que aportam junto às levas de imigrantes. O artigo não expõe a situação a fundo, que certamente inclui diferenças culturais e religiosas que ensejam inúmeros conflitos na região. De qualquer forma, é uma situação inusitada, que nos diz muito sobre o crime organizado, mas também sobre a grande confusão que tem se tornado o século XXI. 

Enjoy!  

 

Traduzido do Dailymail.

 

Capos mafiosos declararam guerra contra os imigrantes em cidade paradisíaca da Sicília, enquanto milhares de refugiados aportam na ilha toda semana.

A Cosa Nostra tenta desesperadamente manter a supremacia no submundo, enquanto gangues de africanos se estabelecem junto com as levas de imigrantes, iniciando uma violenta guerra por territórios na região.

Um gambiano inocente foi baleado na cabeça por um assassino em plena luz do dia, aumentando o temor do início de um verdadeiro banho de sangue.

O prefeito de Palermo, Leoluca Orlando, declarou:

– Palermo não é mais uma cidade italiano. Não é nem mesmo europeia. Você anda na cidade e sente como se estivesse em Istambul ou Beirute.  

A imigração na Itália cresceu 90% nos primeiros três meses do ano. A população imigrante em Ballaró, região de Palermo onde ocorreu o tiroteio, cresceu de 5% para 25% desde o início da crise dos refugiados.

Existe uma preocupação generalizada de que o número de imigrantes exceda a capacidade do país, e a máfia tem sido uma das maiores críticas do afluxo do influxo populacional.

Ainda segundo as palavras de Orlando:

– No passado, quando a máfia era mais poderosa, impediu a entrada de qualquer imigrante na cidade. Até os meus 30 anos de idade, nunca havia visto um africano ou asiático em Palermo. A Máfia não compreendeu que a cidade mudou. Somos agora uma cidade de imigrantes, e os chefões mafiosos não sentam mais na cadeira do prefeito. Palermo é uma cidade do Oriente Médio na Europa. É um mosaico, e estamos felizes com isso

A guerra contra os imigrantes começou a partir da entrada de gangues criminosas africanas junto com as levas de imigrantes respeitadores da lei, passando a operar no quintal dos clãs criminosos tradicionais.

Alguns mafiosos alegam que a polícia tem mirado suas atividades, em benefício das gangues africanas, que operam livremente na região.

Duas semanas atrás, um imigrante gambiano inocente foi baleado na cabeça por um gangster conhecido pela violência. Surpreendentemente, a vítima sobreviveu, mas o ataque foi um exemplo brutal da violência que tem tomado conta da ilha, que, para alguns, pode sair do controle a qualquer momento.  

O prefeito de Palermo alerta:

– Esse atentado mafioso foi um erro tremendo, porque colocou a cidade contra eles. A Máfia precisa de silêncio e sombras. Precisa que as pessoas fiquem de bico fechado. Quando perpetua um ato tão brutal, atirando em um jovem, a prefeitura acende as luzes e toda a cidade se coloca no encalço dos criminosos.

E Guido Longo, comissário de polícia local, complementa:

– Nós estamos enfrentando atos de agressão e perseguição sem precedência contra imigrantes, numa atitude tipicamente mafiosa. Existe a intenção de impor as regras da organização sobre o território.

O tiroteio ocorreu logo após as 18h, em plena luz do dia, próximo ao mercado de rua de Balleró, no centro da cidade, onde comerciantes vendem cabeças de porco e limpam peixes enquanto mafiosos coletam dinheiro de proteção privada.

O distrito pobre, caracterizado por seus antigos edifícios decadentes e ruas de paralelepípedo, é um caldeirão de imigrantes de inúmeros países e de operários sicilianos. Também é ponto de atração de turistas, estudantes e yuppies.

A vítima, Yusapha Susso, 21, saíra de uma partida de futebol num parque próximo. De acordo com seu advogado, estava caminhando com dois amigos pela Via Maqueda, quando um italiano dirigindo uma motocicleta elétrica se aproximou deles de maneira intencional e provocativa.

Uma discussão se iniciou. O italiano disse que sabia que estava em menor número, mas que eles não tardavam por esperar. Depois de fazer contato com os companheiros de gangue, rapidamente uma dezena de homens se acercou ao local, de carro, motocicleta e a pé.

As câmeras de segurança mostram que uma briga se iniciou. Susso conseguiu se desvencilhar de seus agressores e correr em direção aos amigos, para prestar ajuda.

Foi quando um mafioso local, chamado Emanuele Rubino, de 28 anos, retirou uma arma de fogo de um prédio próximo, perseguiu Susso até uma rua lateral e atirou na sua cabeça.

– Rubino andou 100 metros com uma pistola na mão, entre várias pessoas, como se ninguém pudesse pará-lo – explica Rudolfo Ruperti, policial no comando das investigações – Sentia-se tão poderoso que acreditava que não seria punido. É uma natureza violenta e mafiosa.

Susso ficou em coma por quatro dias e agora permanece no hospital, em recuperação. Falando da cama, disse ao jornal: – Isso não vai mudar quem eu sou. Meus sentimentos não vão mudar. Eu quero ficar na Itália. Fisicamente, sinto-me bem, mas ainda estou abalado psicologicamente. Foi um milagre. Meus pais são cristãos e eu sou crente. Não estou sentindo raiva, só sinto gratidão por ter minha vida. Quando sair do hospital, vai ser como se fosse o primeiro dia da minha vida.

Testemunhas relatam terem visto Susso sentado na rua, segurando a própria cabeça. Um lojista declarou:

– Quando eu cheguei perto, não achei que ele estava gravemente ferido, porque estava agindo como se tivesse uma dor de cabeça. Então ele tirou a mão de cima da cabeça e pude ver o sangue.

Na cena do crime, os habitantes apontavam o rastro de sangue ainda visível na rua.

Rubino, um mafioso, de acordo com informações da prefeitura, estava aparentemente tentando se estabelecer como chefe local, com a intenção de se juntar posteriormente a uma família mafiosa maior ou estabelecer uma nova dinastia.

Segundo fontes policiais, Rubino vinha exigindo dinheiro de proteção para comerciantes imigrantes e aterrorizando a comunidade local. Segundo Ruperti:

– Até o momento, Rubino não integra nenhum clã mafioso oficial, mas suas ações indicam o comportamento de um mafioso. Os seus métodos são tipicamente mafiosos, na medida em que queria demonstrar publicamente que comandava o território, e estava disposto a usar uma arma para resolver qualquer problema. Esse foi o seu crime mais grave, pelo qual deve enfrentar 16 anos de prisão. Sua ficha criminal inclui assalto a banco a mão armada, tráfico de drogas e de pessoas.

Parte de sua estratégia envolvia a extorsão de estrangeiros, principalmente imigrantes que possuíam pequenos comércios.

O advogado de Susso, Vicenzo Gervazi, disse ao jornal que o ataque era parte de um esforço de Rubino de autopromoção para os grandes capos da Máfia, para os quais a chegada das gangues africanas tem sido grave motivo de preocupação.

Rubino chegou mesmo ao ponto de dizer à polícia que ficava feliz de ir para a cadeia por 12 anos, se isso significasse estabelecer a própria reputação como capo do submundo siciliano.

– É um cara com forte personalidade mafiosa, que pretendia tomar o território de outras famílias mafiosas de Palermo. Estava tentando governar Ballaró. Era o seu plano para ganhar poder e exercer um papel no mundo da Máfia.

Donos de lojas africanos e paquistaneses que não quiseram se identificar respiraram aliviados quando souberam da prisão do mafioso.

Enquanto Rubino era transferido da estação policial para a prisão, membros de sua família reunidos aplaudiam o rapaz, seguindo a tradição mafiosa local. Segundo o seu vizinho Giovanni Zinna, de 46 anos, um assistente social que tem se oposto ao criminoso por 15 anos:

– Ele e seus amigos não conhecem a vida fora de Palermo, então vivam obcecados por ganhar poder na cidade. Essa é a cultura deles. É o começo de uma guerra entre a Máfia e os imigrantes. Vai ficar cada vez pior. Eu estou assustado. Haverá mais imigrantes, mais tensão e mais ataques. Foi o primeiro tiroteio, mas não será o último.

Ontem, o primeiro ministro italiano, Matteo Renzi, escreveu para os oficiais da União Europeia propondo que a organização financia medidas de gerenciamento de migração na África, para refrear o enorme fluxo de pessoas economicamente empobrecidas para as quais tem sido muito custoso oferecer asilo.

Nas palavras de Andrea Romano, membro da Câmara dos Deputados pelo Partido Democrata:

– Um dos nossos objetivos é reduzir os níveis de imigração e mitigar as tensões na Sicília e na Itália como um todo. O que temos visto na Sicília, é que quando o Estado tenta organizar a imigração, a Máfia reage. Ela tenta colocar as pessoas contra o Estado e os imigrantes, porque querem que a situação permaneça caótica e desorganizada, o que lhe permite manter o controle. É claro que a tensão vai aumentar paralelamente ao número de imigrantes. É inevitável, em face dessa situação de emergência. Nós queremos organizar melhor a imigração para reduzir o peso sobre os cidadãos sicilianos e fazer com que os nossos parceiros da União Europeia dividam a responsabilidade conosco. Esperamos que, assim, mitiguemos a situação.

 

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